Resident evil 7: as 3 grandes dúvidas esclarecidas


Vinte anos depois, continua a ser difícil definir aquilo que Resident Evil representa. A série pode ter apresentado a frase 'survival horror', mas a ideia fundamental tem estado ausente das iterações mais recentes. Parecia que Resi tinha perdido o sentido, a sua identidade, focando-se mais na ação e espetáculo, em detrimento do suspense e horror.

Felizmente, Resident Evil 7 não sofre de nenhuma dessas ansiedades. É uma tomada de posição confiante, o jogo é uma intensa experiência de horror de sobrevivência, com mistério e exploração na sua génese. Embora seja muito diferente do resto da série numa primeira análise, mudando de setting e perspetiva, o seu 'feel' é mais próximo do original de 1996, do que qualquer outro jogo da franquia.


Agora, entremos em específicos, falemos das coisas terríveis que te acontecem na propriedade Baker (o inesperado é uma das mais potentes armas de RE7). Acordas numa habitação desconhecida, preso a uma cadeira e rodeado da família Baker - Jack, o pai; Margueritte, a mãe; Lucas, o seu filho; e a Avó, que está sentada na sua cadeira de olhos fechados.

É hora de jantar, e Margueritte preparou um banquete para o convidado, composto de carne humana e o que parecem ser miudezas, empilhadas numa montanha de gordura. Por algum motivo, querem que enchas a barriga de carne podre - Jack aproxima-se com violência e empurra um pedaço rançoso pela tua boca. Eventualmente, depois de muito tormento, lá abandonam a cozinha e sem quaisquer tipos de indicação ou tutorial, tens de encontrar forma de escapar.

Em vez de tentar descrever o que se segue parte por parte, arruinando a surpresa no processo, penso ser mais útil se procurar responder, de acordo com a minha experiência, a estas três grandes questões:

  • O que faz dele um Resident Evil?
  • O que o distingue de outros Resident Evil?
  • É assustador?

O que faz dele um Resident Evil?

Inicialmente, Resident Evil 7 parece muito diferente do que vimos antes, mas os elementos familiares rapidamente se apresentam. Alguns são muito óbvios: As ervas verdes recuperam-nos a vida perdida, um inventário limitado que requer microgestão, items que podem ser combinados de várias maneiras e um arsenal muito próximo do original (horas depois tinha recuperado uma faca, pistola, caçadeira, lança-chamas, lança-granadas e estava de olho numa magnum). Mas estas são semelhanças superficiais - coisas que também encontras em Resident Evil recentes. Para mim, o mais significativo é como o jogo te faz sentir.


Se ignorarmos a perspetiva na primeira pessoa, o novo setting e personagens, vemos que a estrutura tem uma estranha semelhança com o jogo original. Há um bom motivo para eu ainda me lembrar de navegar cuidadosamente pelos espaços da mansão Spencer, 20 anos antes: aquela familiaridade e carinho dos encontros em quartos específicos, voltar atrás com um propósito, ou a satisfação de desbloquear um atalho importante.

Mesmo agora, posso fechar os olhos e percorrer cada corredor. Na Baker House, construída em cima de terras pantanosas no Louisiana, pode ser esteticamente distante da mansão Spencer, nas montanhas de Arklay, mas assenta nas mesmas fundações: a exploração, o revisitar de locais e a resolução de puzzles.


Esta mistura é uma grande parte do porquê de ter gostado tanto do jogo original, e penso que esta linha de diálogo do Drácula de Bram Stoker - dita pelo Conde a Jonathan Harker pouco depois da sua chegada a Transylvania – resume o efeito na perfeição:

“Podes ir onde quiseres no castelo, exceptuando onde as portas estão trancadas, onde claro, não vais querer ir. Há um motivo para as coisas serem como são, se visses com os meus olhos e soubesses como eu, talvez compreendesses melhor."

A curiosidade atrai-te para essas portas. Queres entender melhor, para poderes escapar. Resident Evil 7 faz um trabalho fantástico a dirigir-te para essas portas proibidas, e a fazer delas o mais assustador possível, decorando-as com escorpiões mortos, cobras esfoladas e corvos mutilados - cada uma, sugerindo o tipo de chave de terás de encontrar.


Através da exploração, resolução de puzzles e descoberta de ligações, literais ou não, pelos corredores, começamos a entender melhor o que se está a passar. Ethan, tal como nós, começa de uma posição de ignorância total, mas através de uma série de cassetes VHS, notas e misteriosos telefonemas, ele e o jogador vão juntando as peças do puzzle, percebendo como a casa dos Baker se relaciona com a história de Resident Evil. Depois de algumas horas, montei uma tentadora teoria sobre como tudo está ligado às personagens e histórias de há 20 anos atrás. Por agora, no caso de ter acertado, vou guardar a teoria para mim.


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Sobre Daniel Vasconcelos

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